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Felicidade Traz Dinheiro

A inversão de valores em que vivemos afogados

Todos nós crescemos ouvindo que "Dinheiro traz felicidade". Ou ainda brincadeiras como "Dinheiro não traz felicidade, manda buscar."
Será que alguma vez paramos uns dois minutos na vida para pensar no que o dinheiro traz mesmo? Claro, todos nós precisamos de dinheiro. Afinal, a cada 30 dias as contas mensais estão tocando nossa campainha.
Mas o quanto precisamos? Para que precisamos de mais ou de menos? Por que queremos sempre mais e mais?
Eu estava conversando com uma amiga minha que morava em São Paulo, na capital. E ela vivia falando:
- "Ah, Dani, viver aqui nessa correria todos os dias é muito difícil. A gente parece que está sempre correndo atrás de dinheiro. Eu e o Roberto estamos seriamente pensando em nos mudar para o interior."
E assim ela fez. Menos de dois anos mais tarde, ela e o maridão Roberto estavam se mudando para uma cidade do interior do Estado de São Paulo. Compraram uma casa e lá se foram. Após a mudança dela, perdemos um pouco de contato. Até porque me mudei também, para New York.
Bem, um dia desses nós conversamos rapidamente pelo Skype. Ela nem sabia que eu havia me mudado para os Estados Unidos. Perguntei como eles estavam se dando na cidade nova, casa nova, vida nova. Ela me relatou:
- "Olha, Dani, com certeza aqui é bem mais tranquilo. Vivemos em um condomínio fechado, uma casa com piscina, muito legal, espaçosa, tem 315 metros quadrados. Mas eu ando meio de saco cheio porque estávamos indo bem com a agência de turismo e tal. Mas o movimento caiu um pouco e eu não consigo mobiliar a casa toda do jeito que eu queria. Isso me deixa um pouco triste."
Viver para o dinheiro?
Putz, foi quando eu parei para pensar um pouco. Para que um casal sozinho precisa de uma casa de 315 metros quadrados? Para que precisam acumular um monte de móveis em casa? Claro, isso não é da minha conta mesmo. Mas me fez pensar. Ou seja, mudaram de lugar, mudaram de vida. E tudo permaneceu a mesma coisa - porque estão sempre correndo atrás de dinheiro.
Quantas vezes nós não fazemos a mesma coisa? Será que não estamos fazendo isso agora?
Eu li uma reportagem na Revista TRIP sobre um economista e empresário nascido em Bangladesh que vem fazendo algo muito legal: incentivar empresários a ter LUCRO ZERO, a tirar apenas para seu sustento próprio - mas sem ter que alimentar ganância de acionistas. E ele vem fazendo sucesso. Se quiserem ler a matéria, cliquem na imagem da capa da TRIP abaixo.
Alguém vem transformando discurso em prática
O nome do empresário é Muhammad Yunus e é dele este pensamento sensacional: "Não somos robôs fazedores de dinheiro. A vida não pode ser reduzida a uma busca egoísta como essa.”
O idéia dele é que todo negócio deveria cumprir REALMENTE uma funcão social. Mais que isso, todo negócio deveria ser um negócio social - resolver um problema. Exemplos:
adidas a US1
Ele chegou na adidas e apresentou um plano para o CEO da empresa: "Meu plano é o seguinte: por quê existem tantas crianças andando descalças na India e em países em desenvolvimento? Por quê não construimos um calçado e o vendemos a um preço justo?" O CEO da adidas perguntou qual seria esse preço. E ele disse US$ 1. Isso mesmo: UM DOLAR. E o calçado foi feito. E está nos pés de milhares de crianças;
Iogurte Danone com lucro zero
Foi detectado que na India, 60% das crianças são subnutridas principalmente por falta de consumo de vitaminas. O que ele fez com essa informação? Foi para a Danone. E após idas e vindas, fabricaram um iogurte que supre todas as vitaminas necessárias para crianças crescerem saudáveis e se tornarem seres humanos empreendedores e criativos. E uma nova empresa social foi criada para produzir iogurte para essas crianças.
Sementes por 1 centavo de Dolar
O mesmo ele fez com pedintes de rua. Acreditam? Sim! Ele transformou pedintes de rua em donos de micro-negócios. Foi a uma empresa de sementes e negociou a criação de um saquinho de sementes para ser vendido para fazendeiros e plantadores por US$ 0.01. UM CENTAVO! E a idéia deu certo e fez um monte de pedintes de dinheiro e ganhadores de dinheiro e criadores de novas oportunidades.
O "banqueiro dos pobres" como ele é chamado, diz: "Precisamos criar um novo capitalismo. Há 85 pessoas no mundo que têm mais da metade de toda a riqueza do planeta. Já a metade mais pobre da população mundial detém menos de 1% desses recursos. Que mundo é esse? Minha luta tem sido contra essa estrutura. Se a Europa, a parte mais próspera do mundo, vive isso, o que acontece em economias menores? Temos que redesenhar o sistema capitalista. Tudo o que dizem é ‘faça dinheiro, seja feliz’. Mas aí você ganha US$ 1 bilhão e não faz nada pelos outros. Para que serve US$ 1 bilhão? ‘Ah, dei emprego a muita gente.’ Sim, e pegou a riqueza para você. Concentração é tudo o que você produziu.” 
Somos todos criativos
Os pensamentos dele sobre emprego também são muito bacanas: “Uma questão essencial está na ideia de emprego. Quem disse que nascemos para procurar emprego? A escola? Os professores? Os livros? Sua religião? Seus pais? Alguém colocou isso na cabeça das pessoas. O sistema educacional repete: ‘você tem que trabalhar duro’. Seres humanos não nasceram pra isso. O ser humano é cheio de poder criativo, mas o sistema o reduz a mero trabalhador, capaz de fazer trabalhos repetitivos. Isso é vergonhoso, está errado. As pessoas precisam crescer sabendo que é uma opção se tornar empregado, mas que existe a possibilidade de ser empreendedor, seguir o próprio caminho. É arriscado, incerto, há frustrações, mas é bem mais estimulante. Arrumar emprego é o que é seguro, garantido. Mas sua vida será limitada ao que decidirem por você."
Bem, o post de hoje ficou um pouco mais longo que o normal. É que esse assunto realmente me deixou motivado a mudar minha forma de viver, pensar. E para não ficar apenas no pensamento, resolvi agir: todo gestor de escola ou organização de ensino, pode baixar meu livro DE GRAÇÅ. Um ótimo instrumento para estudar História do Mundo recente.
Isso me deixa feliz. E no final das contas, a gente acaba percebendo que felicidade é que traz dinheiro. Não o contrário.
Se quiserem ver um vídeo do Muhammad falando em uma conferência TED, está logo a seguir.
Valeu, moçada! Até a próxima.
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